Quando falamos em acidentes de trabalho, muitas pessoas imaginam logo um chão de fábrica, cheio de máquinas, ou um canteiro de obras. Mas você sabia que existem muitos riscos à saúde no escritório?

Conhecer quais são esses riscos ajuda a reduzir a probabilidade de doenças, acidentes e afastamentos. Para os profissionais liberais, freelancers e autônomos, essa informação é ainda mais importante, já que passar dias sem trabalhar pode comprometer totalmente o salário no fim do mês.

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O que é acidente de trabalho?

Antes de mais nada é importante compreender exatamente o que é acidente de trabalho para a legislação.

Quem regulamenta esse termo é a Lei nº 8.213/91 que estabelece acidente de trabalho como aquele ocorrido pelo exercício do trabalho, tendo como consequência alguma lesão corporal ou perturbação funcional que ocasione de forma permanente ou temporária a perda da capacidade de trabalho e, em casos mais extremos, a morte do trabalhador.

Assim, conhecer quais riscos você e os seus funcionários estão expostos é fundamental, visando criar mecanismos de prevenção, reduzindo as chances de um acidente de trabalho – e, claro, de complicações de saúde aos seus colaboradores.

Quais os riscos à saúde no escritório?

Agora que você já compreendeu o que é acidente de trabalho para a lei, vamos ver alguns problemas comuns de quem trabalha em escritório – e que podem levar a afastamentos e até a condições crônicas de saúde. Confira.

1. DORT/ LER

As doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) e as lesões por esforços repetitivos (LER) são mais comuns do que imaginamos. Em 2013, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, existiam mais de 3,5 milhões de brasileiros com esses problemas.

Essas doenças também são consideradas acidentes de trabalho pela Previdência Social e estão relacionadas, sobretudo, a problemas de ergonomia e intensificação da atividade de trabalho, por exemplo, digitando mais do que o convencional para as 8 horas diárias.

Ambas significam, basicamente, um desgaste excessivo do sistema musculoesquelético principalmente devido aos movimentos repetitivos ou feitos em uma posição incorreta (por exemplo, ao atender o telefone, deixar o aparelho preso entre o pescoço e o ombro durante longos períodos para anotar ou mexer no computador).

O INSS ainda possui um dado muito impressionante: tanto a LER como a DORT são a segunda maior causa de afastamento do trabalho no Brasil. Na região sudeste, por exemplo, a cada 100 trabalhadores, 1 é portador da síndrome.

Para prevenir essas doenças é preciso ficar atento a dois pontos:

  • repetitividade dos movimentos: que causa fadiga e desgaste, além de comprometer o sistema musculoesquelético levando à lesões e inflamações. O ideal é estabelecer pequenas pausas frequentes durante a jornada ou ainda investir na ginástica laboral;
  • postura inadequada: pulso, ombros, coluna lombar e pescoço são as áreas mais afetadas pela má postura. Quando associada a repetitividade, a saúde do colaborador pode sofrer ainda mais. Para evitar isso, opte por cadeiras que deem sustentação completa à coluna, garanta que as pernas estão em um ângulo de 90º e os cotovelos apoiados.

2. Estresse

Condições psicológicas desgastantes também podem levar à sérios problemas de saúde. O estresse e a Síndrome de Burnout, por exemplo, são duas condições que além da fadiga mental e do esgotamento também causam problemas físicos, como aumento da pressão arterial e até riscos elevados de AVC e infarto.

As principais questões que favorecem o aparecimento do estresse são:

  • assédio;
  • longas jornadas de trabalho;
  • cobranças absurdas e nível altíssimo de rendimento;
  • baixa remuneração;
  • ambiente desagradável;
  • alta competitividade;
  • insegurança;
  • falta de motivação.

Quem vive estressado também tem mais chances de desenvolver depressão, ansiedade e outros distúrbios psicológicos que levam ao afastamento pelo INSS. Trabalhadores nessas condições ainda têm mais chance de sofrerem um acidente de trabalho, já que não possuem capacidade mental para exercerem suas funções.

3. Iluminação inadequada

A luminosidade abaixo do ideal ou em excesso pode causar muitos danos à saúde dos seus funcionários, como dores de cabeça, problemas de visão, irritação e até estresse.

Além disso, se a luminosidade não está de acordo com o trabalho realizado, aumentam os riscos de erros capazes de levar à acidentes de trabalho. Se o ambiente é excessivamente iluminado de forma natural, é possível ter altos níveis de radiação UV, também levando a problemas de saúde.

Quem trata dessa questão é a NR 17 que estabelece os parâmetros de iluminação considerados seguros. O principal ponto da norma diz respeito ao planejamento da iluminação, evitando reflexos e ofuscamentos e garantindo o campo de visão do trabalhador.

Assim, o ideal é contar com uma iluminação difusa (que não seja direta e intensa) e bem distribuída por todo o ambiente, evitando cantos escuros ou excessivamente iluminados.

4. Incêndios

Muita gente nem imagina, mas os incêndios são comuns em vários escritórios, principalmente devido a:

  • presença de dispositivos inflamáveis, como fornos, fogões e micro-ondas;
  • fatores elétricos;
  • materiais de fumantes;
  • negligência das empresas.

Não é incomum vermos escritórios com tomadas sobrecarregadas, com o uso de “Ts” e extensões de forma descoordenada e totalmente fora dos parâmetros de segurança. Tudo isso aumenta as chances de um incêndio e, claro, de choques elétricos.

Assim, é muito importante orientar os funcionários em relação ao uso dos equipamentos inflamáveis e, claro, sempre contar com a ajuda de eletricistas quando precisar expandir a sua rede elétrica, evitando as famosas “gambiarras”.

5. Problemas respiratórios

Alergias, gripes, dores de garganta, resfriados e até pneumonia podem ter como causa a qualidade do ar dentro do escritório, principalmente naqueles que usam ar condicionado.

A falta de manutenção do aparelho, como a troca do filtro, contribui para que vírus, bactérias e outros microorganismos nocivos sejam espalhados no ambiente, levando à graves complicações respiratórias, que podem causar o afastamento dos seus funcionários.

Além disso, quando alguém está doente dentro do escritório e as janelas permanecem fechada durante todo o expediente, aumentam as chances de que os demais também se contaminem. Por isso, é importante tentar abrir as janelas e arejar um pouco o espaço de trabalho.

6. Jornada excessiva

Trabalhar demais pode levar ao estresse e a outros problemas psicológicos, mas não é só. Um estudo feito pelo Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional mostrou que trabalhar por mais de 10 horas pode aumentar entre 40 a 80% as chances de desenvolver uma doença no coração.

A combinação de pressão arterial elevada, estresse, dietas pouco saudáveis e um expediente excessivo pode fazer com que centenas de profissionais acabem adoecendo, principalmente devido ao elevado nível do hormônio do estresse, o cortisol, à falta de tempo para exercícios e atividades de lazer e também à exposição prolongada ao estresse.

Como você viu, são muitos os riscos à saúde no escritório. Conhecê-los é a melhor maneira de conseguir identificar as principais ameaças e evitá-las, ajudando você, como profissional, e também os seus funcionários a ficarem mais protegidos e saudáveis.

Trabalhar de casa ou em um escritório próprio muitas vezes aumentam as chances de desenvolver esse problema, já que nem todos os mobiliários e instalações são pensadas para as jornadas de trabalho.

Em um coworking, você reduz esses problemas, uma vez que toda a estrutura é sempre planejada considerando esses riscos e visando minimizá-los.

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